Mariele Neudecker e Miguel Soares
Alexandre Pomar. in EXPRESSO Cartaz, 11ago01 pg27


Na Sala do Veado apresentam-se dois artistas que utilizam o vídeo e a manipulação digital das imagens, associando uma comum direcção espacial (cósmica) à sequência de projectos que Luís Serpa está a programar sob o título «2001: Odisseia no Tempo». De Mariele Neudecker (artista que nasceu em 1965 em Dusseldorf e vive em Bristol) exibe-se Deluge, projecção vídeo sobre dois grandes ecrãs em paredes opostas que mergulha o espectador numa noite sideral sonora e iluminada pela aparição e translação de dois planetas (dois globos, que também lembram globos oculares). A respectiva superfície é preenchida por paisagens apropriadas e manipuladas de duas pinturas românticas, associando uma dimensão de nostalgia à utilização dos novos recursos tecnológicos de criação de imagens. Miguel Soares (1970) expõe «Space Junk» como uma série de impressões fotográficas digitais de grande formato e um vídeo visível num monitor. Os anéis de lixo espacial envolvem a Terra, confundindo-se os detritos deixados pela exploração do espaço com objectos variados e reconhecíveis, nomeadamente brinquedos. O alarme sobre uma das formas actuais de poluição junta-se assim ao humor, num trabalho que actualiza antigos processos de fotomontagem graças à apropriação de imagens tridimensionais através da Internet.